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“Dr. Strangelove” não é uma comédia que grita e esperneia por risadas. O filme de Stanley Kubrick é sofisticado e engraçadíssimo de forma sútil. É fácil dizer que não entendeu a graça ou que nada funciona, o difícil é perceber o brilhantismo das atuações e do roteiro de Kubrick, que, infelizmente, continua atualíssimo.

A falta de luz na sala do General Ripper denota falta de lucidez e ele ordena um ataque de emergência contra os russos. Sua seriedade e alta patente convencem os demais, que não pensam duas vezes e partem em direção ao destino. Seu executivo, Lionel Mandrake, prepara tudo e, gradativamente, percebe que Ripper está completamente louco. Ele tem aversão pelos comunistas, pois acredita que eles poluíram seus fluídos corporais. A interação entre os dois é absolutamente hilária. Sterling Hayden faz de Ripper uma figura sisuda, que passa uma certa credibilidade. O ator não desfaz essa persona, no entanto, percebemos que seu único intuito é apertar um botão, seja lá por qual motivo. Sua insanidade não está em caretas ou distorções vocais, mas no esclarecimento da situação, que salienta a sua condição e o seu total despreparo para exercer um cargo de tal importância. Ripper não diz absolutamente nada que faça sentido e Hayden está sensacional. Em contrapartida, Mandrake é um pobre coitado, um oficial honesto e humilde, que obedece a ordens. De repente, ele se vê preso em uma sala com um maníaco com uma metralhadora, que faz discursos sobre fluídos corporais. Peter Sellers é o contraponto perfeito a Sterling Hayden, um eleva o timing cômico do outro.

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