É difícil encontrar cineastas que tenham um olhar tão empático e generoso para os jovens.
John Hughes marcou o seu nome na década de oitenta, sendo um diretor/roteirista que compreendia todos os anseios, inseguranças e sonhos dos adolescentes. Os adultos tendem a ser figuras unidimensionais em seus filmes. Não são a sua prioridade.
Os trabalhos de Hughes flutuam perfeitamente entre a realidade e a idealização, se tornando, simultaneamente, retratos honestos e diversões escapistas.
Talvez o que torne seus filmes tão memoráveis e atemporais seja a capacidade do jovem de se relacionar com os personagens, ao mesmo tempo em que encontra um final feliz para os seus infelizes dilemas.
Hughes conhecia os estereótipos dentro das escolas e sabia que estes eram apenas disfarces, que encobriram indivíduos reais e complexos. Hughes não enxergava na rebeldia juvenil algo ruim, muito pelo contrário, praticamente afirmava que sem ela, o adolescente não vivia genuinamente. Sua visão sobre a escola é a de um garoto de dezessete anos, o que é um elogio, já que, só quem está ali dentro sabe o que acontece.
Hughes tinha uma enorme capacidade de dar elegância e honestidade a tramas conhecidas. Sem o seu roteiro, “Pretty In Pink” seria apenas mais um filme sobre um garoto rico e uma garota pobre, no entanto, o seu entendimento sobre a natureza jovial e suas mínimas reações a diferentes estágios de um relacionamento tornam “Pretty In Pink” uma obra inteligente e emotiva.
Um dos elementos mais lembrados de sua filmografia é a trilha sonora. Hughes conhecia as tendência da época e tinha um excelente gosto musical.
Responsável por personagens marcantes, Hughes criou, simplesmente, Ferris Bueller, um dos grandes ícones da história do cinema.
Genial no que se propunha a fazer, John Hughes é um artista que sempre seguirá atual e necessário.
Suas obras validam a famosa frase: “já não se fazem mais filmes como antigamente”.
