O “diretor de aluguel” que o tempo revelou ser um dos grandes autores da ação
Poucos cineastas foram tão populares em vida e, ao mesmo tempo, tão subestimados pela crítica quanto Tony Scott. Em quase trinta anos de carreira, ele dirigiu alguns dos maiores sucessos de bilheteria de Hollywood e criou um estilo visual tão marcante que virou sinônimo do cinema de ação de uma era inteira.
Tratado durante décadas como um “diretor comercial” à sombra do irmão mais velho, Ridley Scott, só depois de sua morte passou a ser reconhecido pelo que sempre foi: um autor, com uma assinatura inconfundível.
Vida
Anthony David Leighton Scott nasceu em Tynemouth, no nordeste da Inglaterra, em 1944, o caçula de três filhos de um coronel do Exército britânico. Como o irmão Ridley, estudou belas artes e, mais tarde, formou-se no Royal College of Art, em Londres. Ainda aos 16 anos, teve seu primeiro contato com o cinema atuando em Boy and Bicycle, o curta de estreia de Ridley na direção.
Antes de chegarem ao cinema, os dois irmãos construíram carreira dirigindo publicidade. Tony estreou nos cinemas com o thriller de vampiros The Hunger (1983), mas foi Top Gun (1986) que o transformou num dos diretores mais requisitados de Hollywood, abrindo caminho para uma sequência de grandes sucessos ao longo dos anos 90 e 2000. Tony Scott morreu em Los Angeles, em 19 de agosto de 2012, aos 68 anos.
Estilo e método
Tony Scott é facilmente reconhecível: câmera frenética, cortes rápidos, cores saturadas e trilha pop costurada à ação. Um estilo que dividia opiniões, para uns, puro exagero; para outros, uma forma de energia visual que ajudou a definir o blockbuster moderno.
Por trás desses filmes, uma equipe recorrente. Com o produtor Jerry Bruckheimer, Scott emplacou alguns de seus maiores êxitos comerciais. Com os compositores Hans Zimmer e, depois, Harry Gregson-Williams, construiu sua identidade sonora. E, acima de tudo, firmou uma das parcerias mais fecundas do cinema de ação com Denzel Washington: foram cinco filmes juntos, de Maré Vermelha (1995) a Chamas da Vingança (2004) e Déjà Vu (2006). Seus protagonistas costumam ser homens comuns jogados em situações-limite, ou profissionais movidos por códigos próprios de honra e lealdade.
Prêmios e reconhecimento
O reconhecimento de Tony Scott veio menos por prêmios individuais e mais pelo conjunto e pelo impacto da obra. Em 1995, ele e Ridley receberam juntos o BAFTA de Contribuição Britânica Notável ao Cinema; em 2010, os dois foram novamente homenageados com o BAFTA Britannia, pela contribuição mundial ao entretenimento. A reavaliação crítica mais profunda de seu trabalho, no entanto, veio sobretudo após 2012, quando a expressão “autor da ação” passou a acompanhar seu nome.
Legado
O legado de Tony Scott é o de um cineasta que provou que entreter em grande escala também é uma arte. Seu estilo influenciou toda uma geração de diretores e se tornou um dos mais imitados do cinema de ação contemporâneo. Ao lado de Ridley, fundou a produtora Scott Free, responsável por filmes e séries de sucesso. Em 2022, Top Gun: Maverick, continuação do filme que o consagrou, foi dedicado à sua memória, um reconhecimento tardio mas eloquente do lugar que ele ocupa na história do cinema popular. Rotulado como comercial em vida, Tony Scott é hoje celebrado como um dos grandes estilistas que o gênero já teve.




