“Woodstock” é um documento histórico sobre um período que jamais retornará. Eu olho para aquela multidão e, sinceramente, não sinto vontade de viver nada parecido. No entanto, o festival é retratado com tanto amor e honestidade, que é impossível não se sentir atraído pelas imagens. Os hippies se tornaram figuras estereotipadas no inconsciente humano. O que o diretor Michael Wadleigh faz é bonito e revelador. As drogas levam a certos comportamentos exagerados e ele não esconde isso, porém, o que mais chama atenção é o senso de companheirismo, união, empatia e cuidado dos hippies. Estima-se que cerca de um milhão de pessoas estiveram em Woodstock, e em nenhum momento se vê confusões ou desentendimentos, as pessoas parecem genuinamente interessadas em música, se divertir e estender a mão ao próximo. O diretor não romantiza o evento e aponta para os exageros daquela geração, que não media a gravidade de suas atitudes. Três pessoas morreram, duas de overdose e uma atropelada por um trator; a superlotação interferiu diretamente na vida dos moradores daquela pequena cidade e na dos próprios jovens, que se viram sem água, comida e outras condições básicas; sem falar na chuva, que inundou o lugar e transformou o gramado em um lamaçal.
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