Minas no topo: o segredo por trás da Mostra de Tiradentes

Minas invadiu as telas, e não por acaso brilhou!
Neste episódio, mergulhamos em uma jornada pelas Gerais que vai muito além das montanhas. Tiradentes é o foco. O programa faz uma celebração do festival que ajudou a transformar o cinema nacional com resiliência, voz crítica e curadoria inquieta.
Inaugurada em 1998, numa época em que revelar os Brasis ao Brasil era a meta mais urgente de um audiovisual em tempo de retomada, a Mostra de Tiradentes ganhou um protagonismo hoje invejável no ciclo anual dos festivais de cinema do país. É respeitada não apenas por abrir o bonde onde estão o É Tudo Verdade, Gramado, Brasília, Cine PE e Cine Ceará, mas por um aporte pesado de seu menu na invenção. Famoso em sua gênese por prêmios de júri popular, votados por plateias inchadas, a festa cinéfila de MG deu uma guinada rara em 2008, quando, sob a curadoria do crítico Cleber Eduardo, passou a apostar mais em exercícios de ousadia e de risco do que em estruturas narrativas pautadas num acabamento ortodoxo. O surgimento da seção competitiva Aurora, dedicada a estreantes, deu voz e vez a pérolas como “Estrada para Ythaca” e “Baronesa”, ampliando seu prestígio. O atual boom das estéticas de Belo Horizonte e sobretudo Contagem, cada vez mais requisitada em Roterdã, Sundance, Cannes e na Berlinale, pavimentou-se um bocado nas telas (e nos debates acalorados) que se fizeram naquele canto das Gerais. De quebra, Raquel Hallak, coordenadora geral da Mostra, lutou com afinco para a maratona mineira receber diretores artísticos de festivais estrangeiros, gerando intercâmbios. O corte curatorial de sua grade, hoje coordenado pelo programador e cineasta Francis Vogner dos Reis, preservou o espírito inquieto lá do fim da década de 2000, radicalizado nos anos seguintes.
A prova é a que a 29ª edição de Tiradentes, iniciada no dia 23 e prevista para seguir até o dia 31 de janeiro, abriu seus trabalhos com um (belo) curta-metragem, “O Fantasma da Ópera”, cuja direção é do bamba da inquietude semiótica Julio Bressane – filmando em duo com Rodrigo Lima. Seu tema: o Tempo. Sua forma: a de um making of, às avessas.
Com histórias que conectam passado e presente, Rodrigo Fonseca propõe uma reflexão sobre como uma maratona audiovisual pode se tornar o coração pulsante de uma cinematografia inteira.
Viva o cinema! Salve MG!
Ficha Técnica:
Apresentação: Rodrigo Fonseca
Direção: Bia Mussi
Captação de áudio e vídeo: André Dessandes
Participação criativa: Paula Martinez Mello (câmera nas Gerais)
Assistência de Direção e Captação de vídeo: João Rossi
Assistência de direção: Bianca Scoralick
Edição: Marlo Giannotti
Produção: Tilt Studio
SetPorSete

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